Seu dinheiro compra mais felicidade no açougue que na confeitaria – 04/04/2025 – Nação churrasqueira

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Todo ano, a mesma cena se repete às vésperas da Páscoa: lojas de chocolates abarrotadas de pessoas dispostas a pagar pequenas fortunas por ovos que, vamos combinar, mal cabem nas mãos das crianças.

Enquanto isso, nos açougues da cidade, cortes nobres de carne aguardam, quase ofendidos, por um destino mais digno que o fundo da geladeira de um apartamento. A verdade é que estamos diante de um dos maiores equívocos gastronômicos da nossa era: trocar a experiência coletiva de um bom churrasco por alguns minutos de açúcar embalado em papel colorido.

Considere os números: um ovo de chocolate “premium”, vendido por cerca de R$ 100, pesa em média 250 g, o que equivale a impressionantes R$ 400 por quilo de uma mistura de cacau e açúcar. Com o mesmo valor, qualquer brasileiro com um mínimo de habilidade na churrasqueira pode comprar 1 kg de carne bovina, 1 kg de linguiça, 1 kg de coxinha da asa e ainda sobra dinheiro para o carvão –porque sal grosso, convenhamos, todo mundo tem em casa.

Veja abaixo os preços médios, por quilo, que apurei no dia 1° de abril em um atacado na zona norte de São Paulo

  • Alcatra – R$ 40
  • coxinha da asa – R$ 16
  • linguiça suína – R$ 20

Aproveite para garantir seus cortes nesta semana, já que o preço da carne costuma subir às vésperas da Páscoa. Pesquisar em diferentes mercados e açougues pode render boas economias –muitas vezes, o valor de um produto varia significativamente de um lugar para outro.

Mas o argumento definitivo vai além do preço por quilo. Pense na duração do prazer que cada opção oferece. Enquanto o ovo de R$ 100 desaparece em dez minutos –15, no máximo, para quem come devagar–, um churrasco de valor equivalente estende-se por horas de memórias sendo criadas.

São quatro horas de conversas que vão dos preços abusivos dos ovos ao futebol e à política. Quatro horas de crianças correndo e brincando enquanto os adultos debatem o ponto da carne. Quatro horas de convivência, vida acontecendo, em vez de açúcar sendo metabolizado em solidão.

O marketing nos convenceu de que Páscoa é sinônimo de chocolate. Mas nossa tradição mais autêntica, aquela que ferve no sangue do brasileiro, é outra. O verdadeiro ritual pascal começa no açougue, na escolha criteriosa das peças. Não é por acaso que o consumo de carne bovina cresce impressionantes 22% nesse período.

E depois que a festa acaba vem o verdadeiro teste de qualquer investimento alimentar: as sobras.

Enquanto o ovo de Páscoa deixa como herança apenas migalhas grudadas no papel alumínio e um leve arrependimento glicêmico, o churrasco oferece o presente que continua no dia seguinte —aquele sanduíche de carne fria, ou um arroz de carreteiro, tradicional receita de sobras.

Mas e as crianças? A resposta é simples: presenteie-as com ovos artesanais, que custam em média a metade do preço e possuem um sabor muito mais genuíno —o que ainda ajuda na economia local.

Na minha opinião, acender uma churrasqueira exige muito menos esforço do que escolher entre 87 opções de ovos em embalagens exageradas, projetadas para parecer vencedoras de um Oscar de design.

Concorda comigo?


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